sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Capítulo 41


Baltazar

- Grão-Rei! Grão-Rei! Onde está o Rei?

- Vi-o na biblioteca.

....

- Grão-Rei! Como faremos com os cronogramas de leituras? As academias estão descontroladas.

- Acalme-se, Salin. – A voz de Baltazar acalma qualquer um, seu semblante calmo e feição agradável tem o poder de apaziguar qualquer situação. Pele negra, cabeça lisa e brilhante, dificilmente é visto com sua coroa, estatura média e uma barba branca longa que já é quase sua marca, bem como seu sobretudo abotoado até os pés. É chamado de Grão-Rei pelos moradores do Reino do Águia, porque sua sabedoria é tida como divina e todos em seu reino acreditam que ele seria melhor Rei Ancião do que Dominus Rei. – Eu resolvo isso. Irei a Academia Real de Ciências Naturais logo mais, mas pode me adiantar mais ou menos a situação?

- Essa mudança na contagem do tempo decretada por Dominus é ridícula, não tem a menor necessidade.

- Na verdade, Salin, foi uma medida sábia. Com essa mudança o comércio lucrará mais, facilitara a comunicação com relação ao tempo e, com isso, ganharemos “tempo” de várias formas.

- Run!

- Deixe de fazer barulhos estranhos de resmungos e vá aprontar meu automóvel.

- Sim, Grão-Rei.

- Grão-Rei – Chega ofegante um dos Ouvidos do Rei – Uma emergência!

- O que houve?

- Um incêndio que se alastrou muito rápido na província vizinha e não há como controlar sem sua ajuda.

- Que seja, resolvamos primeiro o incêndio e, Salin, mande Corte resolver o assunto na Academia Real de Ciências Naturais, e me informe a situação no local do incêncio.

- Mas Grão-Mestre não vai trocar de roupa?

- Não há tempo, Salin, corra!

- Sim, Grão-Rei, que assim seja.

            Logo haviam dois automóveis a espera de Baltazar e Corte, seu Braço Direito, do lado de fora do Castelo da Águia, Baltazar partiu enquanto o outro carro ficou a espera de Corte que parecia demorar.

            A caminho, nem por um momento Baltazar trocou sua feição calma e desprendida. Ao longe já se via a brande nuvem de fumaça que cobria a grande floresta cinza do Reino da Águia.

            Ao chegarem, rapidamente Baltazar pegou uma capa grossa que parecia úmida, cobrindo-se com ela e pedindo para Salin fazer o mesmo correu para dentro do fogo e sumiu por entre as chamas que pareciam devorar a floresta inteira. Lá dentro procuraram alguma clareira, o fogo era intenso e escurecido, mas parecia se afasta de Baltazar com se ele trouxesse vento com ele, Salin se sentia num forno e começava a temer não chegar a uma clareira logo, mas acima de tudo confiava em seu Rei. Caminharam até Salin gritar por entre estralados e rangidos de troncos que se desfaziam:

- Grão-Rei, não suporto mais! Acho que vou desmaiar!

- Se fosse desmaiar não teria forças para gritar antes, teria? Chegamos.

            A clareira era aberta o suficiente para manter certa distância do fogo. Ali Salin começou a obervar Baltazar olhar para o céu, ao longe enxergou uma águia, provavelmente atraída pelo próprio Baltazar, este e a água pareciam se olhar, até qye Baltazar balançou a cabeça, provavelmente havia usado os olhos da águia para ver a extensão do incêndio, e começou, abriu os braços para os céus e depois juntos as mãos de vagar sobre sua cabeça, e desfez-se um algo que parecia uma dança, movimentos rápidos e fortes com os braços e pernas seguidos de movimentos mais lentos e leves. Salin sabia o que era aquilo, mas não pensou que fosse presenciar com seus próprios olhos e vindo do próprio Rei Baltazar, a antigo mestre alquimista da Academia Real de Ciências Naturais, posto que ele mesmo criou.

- Isso é... Domínio de Fogo. – Disse ele extasiado.

            Então Baltazar parou abriu os braços como se medisse algo, quando pareceu achar a medida certa foi aproximando os braços lentamente e aos poucos percebi que o calor ao meu redor diminuía à medida que ele aproximava os braços, até que os fogo ao nosso redor de extinguiu por completo e ele veio até mim, não com uma expressão de vangloriosa de quem acabou de fazer um feito extraordinário, mas com a mesma feição calma e pacífica e me disse:

- Esse fogo não era normal. Percebeu?

- Sim, chamas negras.

- Precisamos investigar.

- Sim, Grão-Rei. Deixe por minha conta.

- Que seja. Vamos ver o que se sucedeu com relação às academias.

            Os dois passearam por entre os aplausos dos cidadãos e entraram no automóvel de onde partiram para a Academia Real de Ciências Naturais do Reino da Águia.

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