segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Capítulo 29 - Invasão (Parte 4) - Repulsor

O
lhos amarelos contra os olhos negros de um Repulsor de Cultuadores da Lua, como ficaram conhecidos os que agiram na inquisição que ocorreu há alguns ciclos, não muitos. Aldeões organizaram uma inquisição contra os cultuadores da lua, qualquer “olho amarelo” que aparecesse era morto, até a intervenção de Dominus Rei, que veio tarde, desde então a tensão entre humanos e estes se tornou cada vez maior. Ainda havia os que acreditavam que poderiam conviver pacificamente, mas outros, apenas queriam vê-los fora desse planeta.
- Então você era um repulsor?
- Como adivinhou, “olho amarelo”?
- Não foi difícil, ouvi o vento passar entre suas orelhas.
- Verme ins...
- Escute! Há muitas formas de perder a vida, mas de morrer só existe uma. – Neflin falava enquanto entrava de novo na mata – Pessoas não morrem por flechas, espadas ou canhões – enquanto Neflin falava ele andava por traz das árvores, os olhos de Sirt seguiam os olhos amarelos que pareciam brilhar no escuro – Só uma forma de morrer, e infelizmente acredito que se aplique a você.
- O que quer dizer? Devo prevenir-lhe que minha mira...
- É a melhor do Exército do Leão. Eu sei. Sirturiom Qartak. Você tem preferência por acertar o olho esquerdo, por que é o lugar mais vulnerável de um Neflin, somente um Repulsor saberia disso. Um Repulsor que lutou na inquisição.
- Como sabe meu nome? – perguntou ele ainda seguindo os olhos vermelhos de Neflin, mas desta vez sacou seu arco e preparou a flecha, deixou que a flecha chegasse ao máximo de tensão que o arco conseguisse, firmou os pés no chão, uma gota de suor caiu da sua testa, sua jugular pulsou e ele engoliu ceco.
- Que tal uma aula de anatomia Lider da Artilharia Arqueia do Exército do Leão? Sabe quais os pontos que circulam mais sangue no corpo humano? Vou responder: pescoço, axila e virilha. Contarei até três antes que os três vasos condutores que passam por estes locais estejam cortados, sugiro que nessa contagem lembre de cada irmão meu que você matou. Mas antes quero continuar meu raciocínio inicial: Pessoas não morrem por flechas, espadas ou canhões. Um – Sirt estava com o olho esquerdo, amarelo e brilhante em sua mira, não havia como ele se mexer sem ser perfurado, mesmo assim continuava andando. – Dois – em tantos anos em campos de batalha poucas vezes se sentira assim, acho que isso que deviam chamar, medo. – Três! – Neflin mechou os olhos e antes que Sirt pudesse pensar em soltar sua flecha, uma lâmina que ele não vira, havia passado em baixo do seu braço, da sua cabeça e entre suas pernas, nas sentiu dor, mas sentiu seus sangue abandara-lhe sendo jorrado para longe.
       Na mente de Neflin, a imagem de seus pais, e todos os Culturadores com os quais ele nasceu e cresceu, aos quais tratava com irmãos, sendo queimados vivos, com suas carnes fervendo e ele escondido dentro de um porão.

- Pessoas não morrem por flechas, espadas ou canhões... Pessoas morrem quando são esquecidas.

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