terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Capítulo 27 Invasão (Parte 3) – Olhares


O
fegante e com os braços ainda latejando, em sua memória um flash de seu treinamento em que tinha que arrancar árvores centicíclicas*¹ do chão, vivas. Minus levantou a cabeça e olhando ao redor percebeu seus soldados gritando, aos poucos sua audição voltou e ele ouviu:
- Minus! Minus! Minus!
       Recuperou as forças e gritou:
- À imortalidade! – E seus companheiros voltaram à batalha.
       Do outro lado do campo de batalha, dentro dos corredores de pedra do acampamento dos Soldados do Leão, Lunah perambulava por entre corpos caídos e um deles parecia apontar para o sinal de alerta de almoço, o sinal de invasão estava longe e ele não conseguiria chegar lá vivo, ele fez o máximo que pode, mesmo assim não foi o suficiente. Ao sair dos corredores viu uma sombra sair da mata, era Sirt, o General viu a ao mesmo tempo em que foi visto, percebeu o lenço em seu braço e perguntou simplesmente:
- Por que? – com o suor a pingar de todo o corpo, com arco e flecha nas costas e olhar de decepção.
- Porque quero lutar minhas próprias batalhas, por minhas glórias e derrotas. Não por um rei sádico e seu irmão que pensam brincar com soldados de chumbo num jogo de xadrez.
- Como se atreve a falar assim de Vossa Potência Rei Gordon e o Mor-Grão-General Dort, vou fazê-la cuspir cada palavra com sangue. – Sacou uma arma que jazia no chão e Lunah sacou suas adagas de bronze foliadas a ouro, certamente uma demonstração de que não era uma plebeia. Foram um para cima do outro, as adagas de Lunah foram de encontro à espada de Sirt, mas este segurou com uma das mãos a espada e muito rapidamente sacou uma flecha e procurou pela barriga de Lunah que já havia se afastado, o que fez ir pra cima com raiva, mas com uma feição nula. E começou um duelo que se dividia e mudava de segundo em segundo, ora estavam com as adagas e espada se encontrando e ora estavam sacando suas flechas tentando achar a mira enquanto o outro tentava fugir desta, Lunah sabia que Sirt possuía uma mira melhor do que ela por isso tentava manter o combate à média distância. Os dois se distanciaram e Neflin apareceu por entre as barracas correndo e viu o embate parando para socorrer Lunah que parecia estar em desvantagem, mas ela disse:
- Não Neflin, isso é pessoal.
- Não deveria deixar que algo pessoal interferisse na batalha.
- Ele matou minha mãe, e meu pai.
- Eu? – Perguntou Sirt.
- Sim, em uma das inquisições organizadas por Gordon contra os cultuadores da lua.
- Mas você não é... – Disse Neflin.
- Não. Minha mãe era.
- Seu pai casou-se com aquilo? Que nojo! – disse Sirt sacando seu arco.
- Não há nada de nojento no amor. Desde então odeio os humanos e tenho me aproximado mais do cultuadores da lua. É quase uma profecia que meu nome seja assim. – Neflin percebeu o olhar sedutor que Lunah havia lançado sobre ele, seus cabelos negros, presos atrás da cabeça, estavam salpicados do sangue de desconhecidos e assim como todo o seu corpo que estava salvo apenas por uma armadura leve de escamas de alumínio reforçados como é característico dos arqueiros e soldados de longa distância. Há tempos Neflin não recebia esse olhar de uma mulher, um olhar hipnotizante que durou apenas um microgrado*², mas do que suficiente para Sirt agir. E o olhar que Neflin contemplava fora perfurado por uma flecha... Por descuido seu? Por descuido dela? Por astúcia de Sirt? Não importava agora que o corpo de Lunah jazia no chão frio com o sangue a fazer uma cama vermelha. O olhar de Neflin mudou para fúria, ódio, vingança... Nojo!

 
*¹ Centicíclica: que possui cem ciclos, semelhante a centenária.
*² Contagem de tempo.

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